Qvímica
Trilha / Ala II · Físico-Química

Estequiometria

Atualizado em 20/09/2026 · 7 questões no banco

Mol, massa molar, balanceamento, reagente limitante, pureza e rendimento.

molmassa molarreagente limitanterendimentopureza

Ao final deste tema você consegue

  • Transitar entre massa, mol, volume e partículas com uma única ponte mental
  • Balancear e ler a equação como uma receita
  • Resolver os três complicadores de prova: limitante, pureza e rendimento

O panorama: por que estequiometria existe

Uma equação química é uma receita de bolo escrita em linguagem de átomos. Quando você lê

2 H2+O2→2 H2O\mathrm{2\,H_2 + O_2 \rightarrow 2\,H_2O}

o que está escrito não é "2 gramas de hidrogênio". É 2 porções de moléculas de H₂ para 1 porção de moléculas de O₂. O problema é prático: ninguém conta moléculas no laboratório — a gente pesa. A estequiometria é exatamente a ponte entre o que a receita diz (proporção de partículas) e o que a balança mostra (gramas).

Essa ponte tem um nome: mol. Um mol é só um número de contagem, como "dúzia", mas gigante: 6,02×10236{,}02 \times 10^{23} unidades. E a genialidade é que a massa de 1 mol de qualquer substância, em gramas, é o número que está na tabela periódica.

Dica de prova

Guarde o fluxo e você resolve 90% das questões: grama → mol → (proporção da equação) → mol → grama. Toda questão de estequiometria é uma caminhada nesse trilho.

O átomo da conta: a relação massa ↔ mol

§

n=mMn = \frac{m}{M}

Quantidade de matéria
Use quando: sempre que a questão der massa e você precisar entrar na equação

onde nn é a quantidade de matéria (mol), mm a massa (g) e MM a massa molar (g/mol), lida direto na tabela periódica.

Exemplo mínimo: a água tem M=2(1)+16=18 g/molM = 2(1) + 16 = 18\ \mathrm{g/mol}. Então 36 g de água são n=36/18=2n = 36/18 = 2 mol — ou seja, 2×6,02×10232 \times 6{,}02 \times 10^{23} moléculas.

Por que a massa molar 'coincide' com a tabela periódica?

Porque o mol foi definido assim de propósito. A unidade de massa atômica foi calibrada para que 12 g de carbono-12 contenham exatamente 6,02×10236{,}02\times10^{23} átomos. Isso faz com que ler "16" para o oxigênio signifique, ao mesmo tempo, 16 u por átomo e 16 g por mol. Não é coincidência, é engenharia de unidades.

Balancear é conservar átomos

A equação só pode ser usada como proporção depois de balanceada, porque átomos não somem nem aparecem. Na prática, no ENEM, quase sempre o balanceamento vem pronto ou é simples — o erro mais comum não é balancear errado, é esquecer de conferir.

Erro clássico

Montar a regra de três com os coeficientes e as massas ao mesmo tempo. Os coeficientes valem para MOL. Converta para mol, use a proporção, e só então volte para grama.

Como isso cai na prova

Combustão do etanol

Enunciado. Quantos gramas de CO₂ são liberados na combustão completa de 92 g de etanol (C₂H₆O)? Dados: C = 12, H = 1, O = 16.

  1. Escreva e balanceie a equação

    C2H6O+3 O2→2 CO2+3 H2O\mathrm{C_2H_6O + 3\,O_2 \rightarrow 2\,CO_2 + 3\,H_2O} — confira: 2 C de cada lado, 6 H de cada lado, 7 O de cada lado.

  2. Converta a massa dada em mol

    MC2H6O=2(12)+6(1)+16=46 g/molM_{\mathrm{C_2H_6O}} = 2(12)+6(1)+16 = 46\ \mathrm{g/mol}, logo n=92/46=2 moln = 92/46 = 2\ \mathrm{mol}.

  3. Use a proporção da equação

    1 mol de etanol produz 2 mol de CO₂ → 2 mol de etanol produzem 4 mol de CO₂.

  4. Volte para gramas

    MCO2=44 g/molM_{\mathrm{CO_2}} = 44\ \mathrm{g/mol}, então m=4×44=176 gm = 4 \times 44 = 176\ \mathrm{g}.

Resposta. 176 g de CO₂.

Os três complicadores

1. Reagente limitante

Quando a questão dá a quantidade dos dois reagentes, ela está avisando que um vai sobrar. A reação para quando o primeiro acaba.

§

compare ndisponıˊvelcoeficiente de cada reagente; o MENOR eˊ o limitante\text{compare } \frac{n_{\text{disponível}}}{\text{coeficiente}} \text{ de cada reagente; o MENOR é o limitante}

Teste do limitante
Use quando: a questão fornece a quantidade de mais de um reagente

Todo o cálculo do produto sai do limitante. O outro é o reagente em excesso, e a sobra é a diferença entre o que havia e o que foi consumido.

2. Pureza

Amostras reais vêm com impurezas que não reagem. A pureza entra antes da conta:

mque reage=mamostra×pureza (%)100m_{\text{que reage}} = m_{\text{amostra}} \times \frac{\text{pureza}\,(\%)}{100}

Calcário 80% puro, 200 g de amostra → só 160 g de CaCO₃ entram na reação.

3. Rendimento

Na prática nem toda a reação se completa. O rendimento entra depois da conta:

mobtida=mteoˊrica×R (%)100m_{\text{obtida}} = m_{\text{teórica}} \times \frac{R\,(\%)}{100}

Atenção

Pureza antes, rendimento depois. Se a questão trouxer os dois, o caminho é: massa da amostra → aplica pureza → converte em mol → proporção → massa teórica → aplica rendimento.

Fechamento

Estequiometria não é uma fórmula, é um trilho: massa → mol → proporção → mol → massa, com três desvios possíveis (limitante, pureza, rendimento). Se você souber em que ponto do trilho cada desvio entra, a conta vira mecânica.

O próximo tema natural é Soluções, onde a mesma lógica aparece com o volume no lugar da massa: em vez de n=m/Mn = m/M, você usará n=c⋅Vn = c \cdot V.

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